Prefiro te chamar assim, embora alguns ainda te chamem de “a moça da gravidez precoce”.
Sei que tiveste muitas expectativas no mundo dos relacionamentos. Sempre quiseste ser notada, desejada, vista como mulher. Preocupaste-te com o que os rapazes pensavam dos teus seios, do teu corpo ainda inocente.
E quando percebeste que foste notada, achaste que era o momento certo para entregar o coração, para amar e ser amada. Parecia o certo, e talvez fosse, afinal, não vias a maldade do mundo.
A tua primeira vez sonhavas que fosse um momento especial. E foi especial, não importa o que terá acontecido, acredite que nunca mais esquecerás.
Também sei que te julgam. Julgam-te mais do que tu mesma, porque estás numa situação em que nem o teu namorado, a tua família ou até a sociedade esperava.
Algumas meninas ou mesmos tuas amigas falam de ti com maldade, achando que deverias estar apenas a estudar, sem te preocupar com um bebé nos braços.
Dizem que brincaste com o teu futuro. Chamam-te nomes, mas o que não sabes é que muitas delas também teriam sido mães de primeira viagem, se não tivessem tirado a vida de um inocente. Algumas são, na verdade, mães de dois, três ou quatro filhos que acabaram nos esgotos.
Não posso dizer que estás correcta, mas também não te vou julgar, lá bem no fundo todos somos vítimas dessa sociedade, a mesma que nos exalta é a mesma que nos coloca numa posição difícil, mata-nos aos poucos.
Também não te vou pedir para “respeitar o processo”, mas posso dizer que continue a lutar, de cabeça erguida. Às vezes, não é tarde demais.
Sei que agora muita coisa parece não fazer muito sentido, até porque o pai do teu filho desapareceu, as responsabilidades cresceram, os gastos aumentaram, mas acredite não é o fim.
Um dia, talvez num futuro distante vais te orgulhar de ter cuidado de uma vida que pode estar a carregar uma missão especial na Terra.


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