JÁ TENTEI DISFARÇAR

 


Às vezes, o silêncio é o pior inimigo.

Muitas vezes eu só queria ter uns auriculares, nem que sejam com fio. Sobretudo sempre que entro no chapa, porque aquele silêncio me consome. Cada qual está no seu canto, e eu no meu, com um barulho que vem de dentro e que me esmaga. 

A minha  mente começa a correr mais rápido que o carro, lembrando-me de tudo que deu errado. 

As palavras que eu deveria ter dito, decisões que eu deveria ter tomado. 

Sentimentos que nunca  expressei, as pessoas que perdi, os sonhos que deixei morrer no meio do caminho.

Minhas mãos tremem. Os dedos doem, feridas abertas de tanto roer as unhas. É como se eu tentasse arrancar a ansiedade com os dentes. Mas ela volta. Sempre volta.

Já tentei disfarçar. Dizer que é só cansaço, que estou bem. Mas a verdade é que tem dias em que respirar dói. Dói ver o espelho e não reconhecer quem está ali. 

Dói lembrar que o trabalho acabou, e com ele, a segurança de poder levar comida para casa. Como vou olhar para mamã e dizer que não sei o que fazer agora?

E o coração... o coração ainda carrega o peso de quem partiu. Já faz cinco meses desde que ela se foi, e mesmo assim ainda falo com ela em pensamento. Sinto falta do riso, da presença, do amor que parecia eterno. Metade de mim foi embora naquele dia, e o que ficou só tenta aprender a existir sem ela.

Também há ferida da amizade que desabou. Eu me diminuí tanto para caber no mundo de alguém que só estava de passagem. Perdi partes minhas tentando ser suficiente. Agora tento me reconstruir, pedindo a Deus forças para não recuar.

No quarto, nem pelo menos consigo me levantar. O celular tocou n vezes, mas não consigo nem ver quem me chama. 

Eu só quero que isso passe.  Enquanto muitos acharem que é frescura, para mim é o meu pão de cada dia.  

PS: ANSIEDADE NÃO É FRESCURA 

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