Kayla, meu amor,
Li a tua carta com calma, mais de uma vez, porque cada palavra tua me pede atenção e respeito. O que tu escreves não é leve, é profundo, e eu recebo tudo com o coração aberto e sedento de ti.
Antes de tudo, muito obrigado por me amares da forma como amas, baby. As tuas orações não são um detalhe para mim; são cuidado concreto, são presença quando a distância tenta se impor. Saber que me colocas diante de Deus quando não podes estar fisicamente comigo dá-me paz e responsabilidade ao mesmo tempo. Eu não tomo isso como garantido.
Quando falas de promessas, tens toda a razão. O mundo está cheio de palavras bonitas e vazias, e eu não quero ser mais um homem que promete por emoção e falha por falta de disciplina. O que eu digo a ti, eu digo com intenção real e com a consciência de que amar também é sustentar escolhas difíceis todos os dias.
Sim, eu tenho orgulho de ti, e não é da boca para fora. Tenho orgulho da tua maturidade, da tua forma de cuidar, da tua força batalhadora. Tu não desempenhas um “papel”, tu és parceira. E se hoje estamos de pé, mesmo à distância, é porque caminhamos lado a lado, ainda que separados pelo espaço.
Eu sei que a distância dói. Não subestimo isso. Há momentos em que nenhuma palavra substitui um abraço um beijo, o calor que só ao teu lado sinto, um olhar firme, um “vai ficar tudo bem” dito de perto. Saber que aguentas firme não me faz confortável; faz-me consciente da tua coragem e da minha ausência momentânea. E eu levo isso comigo.
Quero dizer-te claramente, o esforço que fizeste com os documentos e, sobretudo, com o planeamento do nosso casamento, não passou despercebido. Pelo contrário, tocou-me profundamente. Ver-te pensar em convidados, orçamento, detalhes, com serenidade e responsabilidade, mostra-me que não estás apenas a sonhar, estás a construir. E esse casamento é nosso, dos dois. Quero caminhar contigo em cada decisão.
Quanto ao trocar lâmpadas, lidar com plantas, resolver coisas práticas… isso só reforça o que eu já sei, tu és capaz, curiosa, inteligente e autónoma. Eu não preciso de te autorizar a nada. Eu admiro-te.
Sobre o perdão, eu sei que não foi barato para ti aprender isso. E respeito profundamente o facto de teres escolhido libertar o que te feriu para poderes amar com verdade. Não banalizo essa escolha, nem a tomo como obrigação tua. É um dom que eu honro.
A parte em que falas de intimidade emocional é muito importante para mim. Saber que posso falar contigo sem julgamento das coisas leves às dores mais difíceis dá-me segurança. Eu aceito essa parceria de vida que me ofereces. Não quero carregar tudo sozinho, e quero aprender a partilhar mais contigo, com honestidade.
Relação, para mim, também é escolha diária. Respeito, fidelidade, companheirismo e amor não são conceitos abstractos são práticas. E eu escolho-te, todos os dias.
Quanto ao nutricionista… confesso que nem sempre sigo tudo como deveria (risos). Mas é bom saber que te preocupas comigo até nesses detalhes. A culinária moçambicana já fez escola por aqui, não nego.
Agora, amor, o que contaste sobre a filha da vizinha deixou-me profundamente perturbado. A violência que descreves é revoltante, injustificável, e compreendo o teu medo, a tua raiva, o teu choro. Lamento que estejas a viver num ambiente que te faz sentir insegura. Mesmo à distância, quero que saibas que me importo, que me preocupo contigo e que condeno sem reservas qualquer abuso de poder ou violência. O teu medo é legítimo.
Sorri quando falaste da acácia. Esses pequenos detalhes do teu dia fazem-me sentir mais perto de ti. Ver-te crescer, até na relação com as plantas, mostra-me que transformas a solidão em aprendizado, e isso é raro.
Eu acredito, como tu, que Deus nos uniu com propósito. Não por acaso, não por carência, mas por um caminho que exige fé, trabalho e entrega diária. E confio que Ele é fiel para cumprir o que promete, inclusive connosco.
Saber que te preparas para a minha vinda com essa dedicação toca-me profundamente. Não tomo isso de ânimo leve. Também eu me preparo, todos os dias, para ser digno do amor que me ofereces.
Obrigado por me escolheres com as minhas falhas, imperfeições e limites. Isso, como disseste, não tem preço.
Amor, quase me esquecia, pelo esforço e dedicação, claro graças as tuas orações fui promovido para o cargo do vice-gerente, as moedas também irão aumentar um pouco. Acho que isso nos permitirá sonhar mais um pouco diante do nosso planeamento ao casamento, não só, isso diminuirá o tempo de estadia na pérola do Índico.
Eu amo-te, Kayla. Com verdade, com respeito e com compromisso.
Teu,
Natan


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